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Workshop de calçadistas aborda erradicação do trabalho infantil

A erradicação do trabalho infantil nas fábricas de calçados foi tema de workshop realizado ontem, dia 10, na sede do Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui (Sinbi). Para uma plateia de empresários e profissionais do setor calçadista, o assessor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Igor Hoelscher, e Leonardo Machado, da gerência executiva de Facilitação de Negócios Internacionais da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) falaram sobre os esforços da indústria para a erradicação definitiva do trabalho infantil na atividade.

Destacando o trabalho que vem sendo realizado pelo setor desde a década de 1990 no sentido de dar fim ao envolvimento de crianças na atividade, Hoelscher disse que a questão também é de responsabilidade das empresas. “Além da responsabilidade social, a atuação dentro dos parâmetros legais de erradicação do trabalho infantil no segmento pode auxiliar na geração de negócios no mercado interno e externo”, disse.

Segundo o executivo, a questão evoluiu com o passar dos anos, embora possam existir casos isolados de trabalho de crianças no segmento. “Não é possível que se tratem casos isolados como regra de uma indústria que evoluiu muito na questão desde a década de 90, quando os Estados Unidos reportaram trabalho infantil em fábricas brasileiras de calçados pela primeira vez”, destacou, em referência ao fato do Brasil ainda figurar em listagens do departamento norte-americano do trabalho (DOL – sigla em inglês) como um país que utiliza trabalho de crianças na indústria de transformação. “A Abicalçados vem trabalhando para que o departamento dos Estados Unidos possa nos apontar onde existe a modalidade, mas eles admitem que se tratam apenas de evidências geradas através de publicações na imprensa que, muitas vezes, carecem de credibilidade e evidências”, acrescentou, informando que a entidade vem trabalhando junto aos órgãos responsáveis pelas listagem nos Estados Unidos para a retirada do setor dos relatórios oficiais.

Reflexo nos negócios

O caso da presença da indústria de transformação brasileira em listas elaboradas pelo departamento do trabalho dos Estados Unidos e as implicações comerciais que o fato pode gerar foram abordadas na sequência pelo representante da Apex-Brasil. “As listas são elaboradas a cada dois anos. Existe uma metodologia questionável – baseada em reportagens e evidências sem comprovação – de entrada, mas não de saída dessas listagens”, explicou Machado, que ressaltou a evolução do setor calçadista rumo à completa erradicação do trabalho infantil.

Assim como a Abicalçados, a Apex-Brasil busca mais detalhes sobre onde existe a ilegalidade para atacá-la. “O fato do Brasil ser um país combativo ao trabalho forçado, não só de crianças, também acaba nos colocando em listas como as dos Estados Unidos justamente pelo método utilizado para o levantamento”, disse. Segundo ele, países que não são combativos, que tampouco têm a figura de fiscais do trabalho e uma imprensa livre, são livrados da listagem, mesmo que tenham trabalho infantil em suas indústrias. “Outra questão que nos chama atenção é o fato de que apenas países em desenvolvimento figuram na lista”, frisou, acrescentando que o Brasil, embora seja referência internacional em termos de legislação trabalhista e combate ao trabalho indigno, aparece ao lado de países como Índia, Bangladesh, Vietnã e Miamar. Além da perda em imagem do país junto ao consumidor norte-americano, figurar nessas listas, segundo Machado, pode gerar prejuízos comerciais tangíveis como a não inclusão do Brasil no Sistema Geral de Preferências (SGP) dos Estados Unidos, mecanismo que deve entrar em vigor ainda em 2015 e concederá tarifas menores para a importação de produtos de países em desenvolvimento. “A nossa preocupação é que, embora o aparecimento do Brasil nessas listas não seja impeditivo para o comércio internacional, pode tirar benefícios importantes para a competitividade das nossas exportações”, explicou.

Selo

Durante o encontro foi apresentado o case do Instituto Pró-Criança, fundado em 1999 pelo Sinbi com o objetivo de não somente erradicar o trabalho infantil no setor calçadista da cidade, mas dar oportunidade para que as crianças participem de atividades para o desenvolvimento cultural e humano através de aulas, oficinas e entretenimento.

Fonte: Assessoria de Imprensa – Abicalçado

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