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A urgência da qualificação da mão de obra para o setor calçadista

Os principais gargalos estão nas áreas de pespontador de calçados, confeccionador de calçados e montador de calçados

Atualmente se configurando como um dos maiores problemas para a indústria calçadista, a qualificação da mão de obra se junta a outros gargalos correspondentes que somados formam o pesado fardo do Custo Brasil.

Recente levantamento realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) colocou a falta de mão de obra qualificada como o quarto principal problema para o setor, através apenas da alta carga tributária, da instabilidade cambial e da legislação trabalhista. O apontamento é reflexo de um problema sentido pela indústria brasileira. Conforme pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 65% dos empresários ouvidos pela entidade revelaram problemas com a falta de qualificação dos seus trabalhadores.

No setor calçadista, os principais gargalos estão nas áreas de pespontador de calçados, confeccionador de calçados e montador de calçados. Já os polos mais carentes de mão de obra são o de Nova Serrana/MG, Bahia e Franca/SP. Os números estão em consulta realizada pela Abicalçados com seus associados.

Flexibilização

Para o presidente-executivo da entidade calçadista, Heitor Klein, além da necessidade urgente de formação de mão de obra qualificada, é imperiosa a aprovação da flexibilização da jornada de trabalho já entregue ao Governo Federal. Uma das medidas previstas é permitir a redução da jornada de trabalho com a redução salarial equivalente. A diferença no ordenado seria paga pelo governo com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhar (FAT). “É uma solução inteligente para as empresas e para o Governo, que, em tempos de urgentes ajustes nas contas públicas, iria economizar nas crescentes despesas seguro desemprego e também evitaria os constantes saques nas contas do FGTS”, avalia o dirigente. Já para as indústrias, o benefício estaria na manutenção das equipes, já que em períodos de desaquecimento, como o atual, muitas precisam recorrer às demissões. “Depois o momento econômico melhora e precisamos recontratar. Aí, onde está o trabalhador? Foi para outro setor. A indústria acaba tendo que arcar com mais custos e tempo para a formação da mão de obra”, continua.

Segundo o dirigente, a indústria calçadista vem mantendo a média de 1% de queda nos postos de trabalho gerados nos últimos meses. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o emprego no setor coureiro-calçadista encolheu 7,7% entre janeiro e maio deste ano. “Infelizmente, a tendência é a continuidade desse quadro até o final deste ano”, avisa o executivo.

Rotatividade

Klein ressalta, ainda, que o setor calçadista, por ser intensivo em mão de obra, é um dos que mais sofre com a alta rotatividade dos trabalhadores brasileiros. Conforme o próprio governo, a cada ano 40% dos empregados com carteira assinada trocam de trabalho. “O seguro desemprego acaba servindo, inclusive, como um estímulo para a rotatividade e até para a informalidade”, comenta o executivo. Conforme dados oficiais, o total de benefícios pagos aos trabalhadores cresceu de R$ 6,4 bilhões para R$ 28,5 bilhões entre 2003 e 2013, um aumento de 345%.

Capacitação na prática

Com o atual contexto de alta rotatividade, que segundo Klein, é ainda maior na indústria calçadista, cursos de qualificação e capacitação assumem importante papel na formação de novos trabalhadores.

No Rio Grande do Sul, mais especificamente em Novo Hamburgo/RS, o Centro Tecnológico do Calçado, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (CT Senai), tem a missão de formar trabalhadores para uma indústria que, somente no Estado, emprega mais de 110 mil pessoas.

Atualmente, o CT oferece cursos na área calçadista na matriz e em unidades do Senai de Estância Velha, Santa Cruz do Sul, Lajeado, Canela, Sapiranga, Gravataí, Bento Gonçalves, Farroupilha, Igrejinha, Campo Bom e Venâncio Aires. O diretor regional do Senai-RS, José Zortéa, explica que no primeiro semestre de 2014 estavam matriculados 7.354 alunos, sendo que no ano passado foram mais de 9 mil estudantes distribuídos nas diversas modalidades de formação. Buscando a colocação dos alunos novos e antigos no mercado de trabalho, o Senai dispõe de um site (www.senairs.org.br/talentos) com um cadastro dos currículos dos interessados. “O retorno a partir desta opção tem sido muito satisfatório, pois o percentual de pessoas da nossa comunidade escolar com colocação em sua área de formação está praticamente pleno”, conta Zortéa, acrescentando que, após um ano após o final dos cursos, 89,2% dos alunos já estão inseridos no mercado de trabalho. Segundo Zorzéa, as áreas mais procuradas são modelagem, cronometragem e programação de produção.

Fonte: Unidade de Promoção de Imagem Abicalçados

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